NY - Mary

- Mais uma dose, senhor?
- Uma dupla – O barman o serviu.
O homem olhou no relogio que marcava 22:10. Ajeitou a manga da blusa. E deu dois grandes goles no Uísque – Você teve seus dez minutos... A fila anda...


Erick estava com pressa para começar sua “caça”. A garota que estava esperando estava demorando a chegar e esperar por uma mulher não era algo que estava em seus planos. A boate começava a meia noite, antes disso, as pessoas se reuniam no pub para beber algo antes de começar realmente a noite. Erick podia contar oito mulheres de onde estava. Das oito, cinco já havia passado pelas suas mãos. Restavam então, três novidades...

Estava procurando algo diferente, naquela noite, um desafio. Girou o copo fazendo as duas pedras de gelo dançar uma pela outra. Uma das mulheres estava acompanhada. Mesmo assim, olhava para os outros homens com uma cobiça sorrateira se esgueirando entre os olhos do seu namorado. Descartada, fácil demais. Outra estava sentada girando uma aliança de casamento entre o indicador e o balcão. Não estava sendo servida, o barman, que aparentemente a conhecia pois vez ou outra vinha lhe trocar palavras, havia deixado uma garrafa de vodka a seu lado e ela estava se empenhando em terminá-la. Era definitivamente a mulher mais bonita do lugar, mas, pegar uma bêbada frustrada com o casamento não era digno de um troféu. Partiu então para sua terceira opção, uma garota jovem que também estava sentada ao balcão. A garota o recusara a principio, mas, aceitara a sua companhia enquanto aguardava a chegada da sua amiga. Quando a outra garota chegou, os três se juntaram para curtir a festa.

Trocaram telefones e marcaram algo para depois. Passava da meia-noite e o local estava lotado. A musica alta fazia vibrar os tímpanos. O lugar piscava e a parte do pub era destacada por uma luz amarelada. As garotas se perderam em meio à festa e Erick não reclamou. Conseguira o que queria alí mesmo na festa. Com as duas. O barman ofereceu outro drink e ele aceitou. Sentou-se em uma das banquetas altas do lugar e notou que a mulher ainda estava lá, debruçada no balcão indiferente à toda a agitação a sua volta, faltando dois dedos para acabar a garrafa de Vodka.

Erick deu uma analisada no que como ele chamava de “material”. A aliança estava na boca da garrafa. O indicador passeava pela borda do copo. Os cabelos pretos meio encaracolados se derramavam pelo balcão, a pele era corada pelo sol. O quadril era largo e a cintura era um pouco larga, mas o busto compensava. O busto, mesmo não podendo vê-lo agora sabia que era farto. Fora a primeira coisa que havia analisando quando a viu pela primeira vez.
- Boa noite... – Ele se aproximou
- Eu não sou uma das garotinhas que você corteja, - Soltou com uma voz meio abafada, já que permanecia debruçada no balcão - Então é melhor você procurar outra freguesia.
- Eu dei apenas “Boa noite” – Ele respondeu sorrindo mudando de banco para sertar-se a seu lado.

Ela ergueu a cabeça do balcão. Apoiando o rosto com uma das mãos. O braço chegava a bambear com o peso da cabeça. Ela porém o fitou séria. Seus olhos estavam esverdeados pela luz do lugar. O rosto, embora com belos traços, estava maltratado. Inchado provavelmente por um choro recente, mesmo assim seu olhar se mantinha altivo de uma forma que Erick nunca imaginou que um bêbado conseguisse manter. A imponência dela apenas despertou em Erick o instinto de competição. Talvez ela fosse o troféu bônus da noite. E imaginou se era altiva assim estando torpe, como seria sóbria?...
Normalmente essas eram as melhores de cama.
- Sinrerente rapaz. – Tropeçando nas palavras por causa do álcool - Nós dois sabemos a noite boa que você quer
- Você e uma mulher bonita, poderia ter muitas noites boas, se quisesse.
- Se eu não estou tendo, talvez seja porque eu não queira. – Sussurrou ironicamente como se revelasse um segredo.
- Talvez você apenas não tenha experimentado alguém que fizesse valer à pena. Se ele não soube cuidar de você... Bom... – E se aproximou de modo que seu braço tocou o dela - Por que você não procura alguém que saiba lhe distrair?
- Se você não for encontrar outra coisa para se distrair eu vou chamar o segurança. E aposto que ele vai dar muita distração pra você.
- Por que tantas barreiras? Você deveria se dar uma chance. Dar uma chance. Não é porque um cara te sacaneou que todo mundo vai fazer o mesmo.
- Isso é muito irônico vindo de uma pessoa que menospreza todas as mulheres por causa de alguma decepção que sofreu.
- Do que está falando? – E bebeu um grande gole de uísque
- Você foi noivo por muito tempo. Dá pra ver a marca do anel de compromisso, mas não chegou a casar, ou se chegou foi por pouco tempo. Você olha pras mulheres com desprezo, mas não é gay. Entretanto isso poderia ser por motivos familiares ou qualquer outra coisa. Mas você ficou desconfortável com o que eu falei, então eu acertei.
- Você é uma detetive por um acaso? – Brincou tentando não demonstrar o desconforto com a situação.
A mulher resmungou alguma coisa incompeensivel enquanto se deitava novamente no balcão. Seu telefone tocou, mas ela não se moveu.

- Ei... - Erick começou a sacui-la, mas ela continuou imovel.
- Ela apagou? - Perguntou o barman se aproximando
- Parece que sim. E agora?
- Cara, vê aí o celular dela e chama alguem pra pra vir buscar.

Erick tendo o barman como cumplice e testemunha pegou o celular no bolso da calça.
- Mery, por Cristo. Onde você está? - Gritou uma voz masculina quase desesperada do outro lado
- Olha, a Mery teve um coma alcoolico aqui e está desmaiada, você poderia vir buscá-la?
- Me Passa o endereço...

Em menos de dez minutos um homem de aparencia latina se aproximou do Balcão. Vestia-se social e tinha cheiro de hospital.
- Você é namorado dela?- Se dirigindo a Erick
- Não, não, pensei que você fosse...
- Desculpe a indelicadeza. Meu nome é Fernando. - Estendendo a mão para cumprimentá-lo
- Erick
- Perdoe-me pela pressa eu tive um chamado de emergência. Erick, eu não queria abusar da sua boa vontade mas. Direto ao ponto, quanto voce me cobraria pra levá-la ao centro? Ela mora lá e eu tenho que voltar para o meu plantão. Vou ver se consigo uma enfermeira pra cuidar dela... Mas não tenho tempo para levá-la
- Não é melhor levá-la ao hospital?
- Não, o ambiente só vai deixá-la mais doente. Ela está bem. Apenas desmaiou de cansaço. Não foi nem o alcool na verdade.
- Olha cara...
- Duzentos dólares!?
- O quê?... Não é questão de dinheiro.
- Com duzentos dolares dá pra fazer muita festa
- Não é isso.
- Aqui. Esse é o endereço dela. As chaves estão no bolso. Muitissimo obrigado. - Já saindo - Você está salvando vidas rapaz.

Erick ficou parado ao lado de Mary enquanto Fernando saia com um sorriso no rosto. Podia ficar mais tranquilo agora. Aquele aperto de mão lhe dera a melhor das notícias que poderia receber...

 Ainda bem que você apareceu rapaz... Ela está pecisando. E suspirou...

E se alguem dissesse que fernando ea um louco em entregar a sua amiga nas mãos de um estranho ele daria gargalhadas e diria que o rapaz era uma boa alma.  Diria que Erick nunca faria mal a Mary. Afinal eles já se conheciam a muito, muito tempo. Só estavam bêbados demais para peceber isso.

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