Um segundo para aquecer uma vida

A lua estava cheia, iluminava os campos com seu brilho prateado como um segundo sol. Um cavalgar agitado se perdia em meio a floresta fora dos limites da cidade.


− Boa noite Chevalier... - Soltou Catherina em um tom receoso enquanto abaixava a capa.
− Boa noite, Majestade - Oliver se interrompeu ao notar as marcas - O que lhe aconteceu? - Tocando as manchas arroxeadas que se faziam visíveis subindo desde o pescoço de Caterina até sua bochecha.
− Sei que já estive melhor apresentada – Com um sorriso triste, sua voz soava acuada, contendo o choro - Eu gostaria que não me perguntasse sobre isso.
− Minha senhora...- Soltou a abraçando Catherina não se conteve e chorou, um choro infantil, copioso, desesperado. Um choro de uma vida. Oliver tentava lhe tranquilizar, lhe amparar ante os soluços.
− Você não sabe a vontade que eu tenho de ir lá em suas terras e matar aquele homem agora mesmo. − Por favor ... - Suplicou nervosa quase numa repreensão – Não vamos falar sobre isso agora, não hoje, não quero pensar nele, ou naquele castelo, não quero pensar em nada além deste lugar agora. Eu lhe imploro... Eu só quero... Eu queria... Por favor, não me deixe sozinha agora, não quero pensar nisso.
− Tudo bem, Não falaremos então. A esta noite não haverá espaço para coroas nem para lágrimas está bem?!

 Catherina assentiu, sentou-se a beira do lago e se pôs a lavar o rosto. Oliver sentou-se a seu lado e começou a mexer no bolso
− Como você me deu o seu terço, não achei digno que ficasse sem um – Abrindo a mão. As pedras semelhante a cristais reluziram sob a luz da lua. Catherina tocou no colar encantada. - Me permite?

As pedras deslisaram pelo pescoço da jovem como se dançassem. O príncipe escorregou a mão pelo colar de modo que as cortas de sua mão tocaram o busto de Catherina como se involuntariamente. Esta, por sinal mantinha a face corada, tanto pelo choro eminente quanto pelo constrangimento da situação na qual se encontrava. Era desesperadora a ideia de ter que se entregar a Bartolomeo. Era como jogar por terra todos os princípios pelos quais lutara até então. Não que se considerasse capaz ou merecedora de viver um amor. Mas a idéia daquele homem lhe possuindo lhe apavorava. A lágrimas começaram a correr novamente, junto com um turbilhão de sentimentos, lembrava-se das ameaças com relação ao reino, temia que ele descobrisse que ela realmente estava enamorada por alguém, temia que ele estivesse realmente certo que que consumar aquele matrimônio era realmente sua obrigação perante Deus. Não queria ser uma pecadora, mas podia ser o amor um sentimento assim tão errado?

- Minha senhora... - Chamou Oliver tomando seu rosto em suas mãos -  Catherina... - Era a primeira vez que Oliver a chamara pelo nome, e Catherina nunca imaginou como ele poderia soar doce. - O que posso fazer por ti? O que queres que eu faça para que pares de chorar? Diga, e eu farei.

Nesse momento uma única imagem se fazia soberana na mente da rainha, o dia em que Oliver tocara seus lábios, ainda podia sentir o calor, o gosto na boca, uma sensação que nem mesmo o maior dos poetas poderia descrever, um segundo para aquecer uma vida.
- Apenas me beije.. - Sabia que aquilo não era permitido, sabia que era errado. Nas naquele momento não importava mais. Quando aquela noite acabasse ela estaria de volta ao mundo cruel e frio, ela deitaria-se com Augusto, daria a ele um herdeiro. Salvaria o reino, salvaria a Oliver, manteria seu domínio sobre os exércitos para ajudar a Ordem. Tudo seria salvo e sua alma poderia ser destruída. Então aquela noite seria seu ultimo suspiro - Me dê algo de bom para lembrar depois que eu tiver que morrer... Eu imploro
Suas palavras foram caladas pelos lábios de Oliver nos seus.

O beijo lentamente foi ganhando força, foi aquecendo os dois corpos que se abraçavam como quem se agarra a própria vida. Então os lábios de Oliver começaram a percorrer o pescoço, a orelha, enquanto desatava a capa que caiu pesada sobre a grama. Catherina respirava com dificuldade, quase ofegante. As mãos carinhosas de Oliver lhe deitara sobre a capa que servia como um forro para a grama. E eles se beijaram, um beijo mais ardente, mais ousado, mais entregue, enquanto os cordões do vestido de Catherina eram desatados de uma forma quase desapercebida. 

O príncipe levantou-se e estendeu a mão para que Catherina lhe acompanhasse, e ela o fez, um tanto quanto contrariada, envergonhada. Cruzou os braços sobre o corpo numa forma de escondê-lo. Oliver apenas e lhe abraçou e lhe beijou, até que o beijo lhe desviasse a atenção da vergonha. Depois os lábios do rapaz percorreram os ombros da garota empurrado as alças do vestido com um gesto carinhoso. 

O vestido caiu em um som surdo, Catherina se contraiu tanto pelo frio da noite quanto pelo nervosismo que aumentava cada vez mais. Oliver se via quase embriagado pela alva pele banhada pela luz da lua. Não se importou com as manchas arroucheadas nos braços, no pescoço e em outros locais dispersas pelo corpo da garota. Ele a beijou como se quisesse aquecê-la em corpo e alma. Ela, cedia aos beijos como manteiga se derrete ao calor. 

Oliver esticou sua capa junto a capa de Catherina sobre a grama e deitou a garota sobre as duas como quem conduz uma dança. Os lábios do principe deslisaram pelo corpo de Catherina, enquanto as mãos procuravam a cada segundo reafirmar a certeza de que ela realmente estava alí. Ao seu toque.

O corpo de Oliver desfeito de suas vetes deitava-se quente sobre a gatora, ardia, mesmo em meio ao frio da madrugada. Era possível sentir o pulsar dos dois corações acelerados nos abraços e beijos que se tornavam cada vez mais fortes. A mãos de Oliver percorriam o corpo de Catherina como se quisessem decorar cada curva do contorno da garota. marcando na mente até mesmo a menos das sensações, excitadas com a pele que se arrepiava com apenas um beijo. Então, vagarosamente seus corpos se encaixaram e naquele momento não se era possivel destinguir quem era um ou outro, porque naquele momento eles eram em um só corpo, em um só espírito.
"Porque os caminhos  do homem estão perante os olhos do Senhor, e Ele considera todas as suas veredas. Deus observa o ato sexual dos cônjuges entregues ao prazer inocente designado por Ele mesmo, e o aprova; alegra-Se com o gozo puro e santo.(Cantares)

Um comentário:

  1. ola passando para ler suas histórias, eu amo

    passa lá o meu cantinho e deixe um recadinho

    http://3fasesdalua.blogspot.com

    bjs

    selma

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