Prefacio. Cena 2 - Chá da tarde

   - Fico bastante feliz que tenha me encontrado, Catherina.
   - Um beija-flor sempre encontra a arvore que florece no meio do inverno. 

Haviam duas mulheres sentadas a sombra de uma arvore. Ha alguma distância, o Príncipe fazia a vigilhia. Em uma postura impecável, a espada desenbanhada tocava o solo com segurança. Catherina, a rainha Cristã, conversava alternando entre o francês - lingua nativa daquela ilha - e o inglês, que falavra quando não queria ser compreendida, enquanto Jennifer, a sumo sacerdotisa daquela região, a rainha pagã como se referia Catherina, tentava acompanhar as alternâncias no dialeto.

   - Como está a Rosa? - Perguntou Jennifer
   - Segura. - Tomou um gole de chá e acrescentou - Entretanto, a roseira está sendo deslocada de lugar.
   - Percebo que estou em falta, deveria estar ajudando-lhes.
   - Jennifer, o continente não está seguro. Muitos padres estão levantando protestos contra a sua cultura. Vejo que estão deturpando a palavra do Pai e isso me preocupa. Portanto, continue seus afazeres de sacerdotisa por hora, irei exigir-lhe apenas muito de sua companhia com os seus "Chás da tarde"- a ultima expressão foi dita em um inglês carregando em um sotaque britânico de forma tão pomposa que Jennifer caiu em risos. - Não se faz preciso abalar-te, minha senhora, tenho meus homens para protegê-la. Temos seus homens para protegê-las, temos o exercito de meu marido para colaborar conosco. - A partir deste ponto Catherina passou ao inglês, mesmo que parecesse desnecessário já que o príncipe estava a uma distancia considerável - Seu avô e eu tivemos uma ideia. Estamos recrutando  homens para a causa.
   - Mas, é seguro?
   - Quero que veja isto - Agora já falando em um animado Francês. Catherina caminhou até o cavalo e pegou uma taça e de forma trunfante a colocou sobre a mesa.
   - Que há de mais?
   - Perceba. A minha cruz e o seu caldeirão. O cálice representa perfeitamente a nossa união, não é uma ideia magnífica. Este será o simbolo de nossa aliança. Duas rainhas curvadas diante de um sangue real. Uma grande mãe ajudando a proteger a filha do rei dos rei.
   - É engenhoso de fato.
   - Engenhoso...? É esplendido! Percebe quantos significados pode carregar... vejamos..
   - Catherina...
   - Pois sim?
   - Porque não convidamos o jovem cavaleiro também a mesa. Há tempos ele está apenas parado naquele alto.
   - Não se preocupe com o jovem, ele foi treinado para suportar uma guerra, dias sem alimento a fio. Não vai morrer por passar algumas horas em prontidão.
   - Catherina!
   - Estava apenas brincando, vamos, dê-mos algo de comer a um pobre faminto.

Jennifer olhou para Catherina com uma expressão incrédula enquanto a rainha se deliciava com mais um gole de chá em meio a um grande e satisfeito sorriso diante da implicância. Com um sinal o príncipe se aproximou.  Foi lhe dado um lugar a mesa, algumas fatias de bolo e um pouco de chá. Sua primeira intenção foi negar a cortesia mas o olhar sereno e convidativo de Jennifer aliado ao imponente e altivo olhar da rainha o dissuadiu a recusar o convite. Apesar de tudo, Catherina possuía uma segurança no olhar. Como se fosse uma fortaleza inabalável de fé e honra, seu olhar era como a brasa que aquece, protetora, forte, viva. Essas mesmas propriedade se via no olhar de Jennifer, porém esta tinha ainda uma inocência embalado a altivez, diferente da rainha que carregava ainda sim um olhar cansado, a jovem dama do lago tinha no olhar o brilho da esperança, da fé, banhado em graça. Talvez por isso  fosse algo tão impressionante estar na presença de ambas.
   - E como está o matrimonio?
   - Ainda não consumado - Respondeu Catherina em um inglês casual e um sorriso gentil nos labios
   - Mas, por que?
   - Deus disse que quando nos unimos a uma pessoa, nos tornamos uma só carne e um só espírito - Agora ela já falava em francês - Fomos criadas de uma costela para não sermos nem superior, nem inferior ao homem. Fomos criadas para andarmos lado a lado com aquela pessoa que nos torna completos. E, depois de unidos, nada mais os separará. Porque eles serão um só.
  - Senhoras,- Interrompeu gentilmente o príncipe aproveitando uma pequena pausa de Catherina - Desculpem-me, mas creio que a conversa esteja se tornando bastante pessoal. Não tenho a intenção de ser inconveniente. Irei voltar ao meu posto para dar- lhes mais privacidade.
   - Compreendo, cavaleiro. - Soltou Jennifer em um tom amigável - Leve um pouco de pão.
   - Sente-se, Chevalier. Vais escutar tudo de onde estiver de todo modo.
   - E como pode ter ele uma audição tão boa, Catherina?
   - Ele sabe do que falo. Pois bem, sente-se e sirva-se com paciência. Confio que nenhum fato desta tarde ou qualquer assunto ou comentário realizado sairá desta floresta. Trair esta confiança, sim, seria algo deselegante e desonroso.
   - Tem minha palavra, majestade. - Jurou solene o Príncipe
   - Sei que tenho. - Arqueando um sorriso que se perdeu portás de um gole de chá - Prosseguindo... Meu marido é um atarefado. E, como todo rei, vive entre viagens, guerras, bebedeiras e prostitutas.
   - Por que casaram-se então? - Jennifer parecia realmente confusa.
   - Porque um reino tinha de ser unificado, e eu não posso colocar uma vontade egoísta minha acima de milhares de vidas. Era um casamento ou uma guerra. Optei pela festa, afinal eu adoro ocasiões sociais.
   - Eu não conseguiria. Nós temos que nos unir porque encontramos a nossa alma. O deus e a deusa em um ato uno de amor. Ficar com alguem que não lhe pertence gera sofrimento a ti e a ele. Como encontrarão a pessoa que amam se estão atados erroniamente um ao outro.
   - Mas eu encontrei o amor dele - Novamente em um inglês despretensioso enquanto servia a mesa com mais chá - Ela é uma cortesã. A mulher por quem ele fez os votos de união. Mas, o bispo os anulou porque não convinha ao reino a união que meu marido em sua inocente juventude tentou tornar oficial. Eu descobri que era a moça e a contratei para ser uma das servas de meu marido. Então enquanto eles aproveitam o nosso leito, eu estudo sobre como poderemos proteger as Rosas. - Então tornou ao francês - Quer um pouco mais de bolo, alteza? - Virando-se para o príncipe
   - Agradeço...
   - Isso é tão solitário... - Soltou Jenifer com um misto de raiva e tristeza no olhar.
   - Entendam crianças. Deus criou o amor e a fé. O diabo para aturdir os homes fez com que eles confundissem fé com religião e amor com casamento.
   - Mas você precisa encontrar o seus deus... E como você disse em sua crença. A pessoa de quem você foi tirada por costela...
Os dois cristãos da mesa, o príncipe e a rainha se entreolharam. Catherina foi a primeira a não aguentar e se afastou da mesa em risos. O príncipe se voltou a Jenifer que os olhava tentando entender o que havia de tão engraçado no que dissera.
   - Não é que toda mulher seja a costela de um homem - Tentou explicar o príncipe ainda rindo
   - Mas não foi isso o que Catherina disse?
   - Não...
   - Deixemos como está - Soltou Catherina voltando a mesa - Outro dia Oliver lhe explicará com mais calma. Já está entardecendo.
   - Catherina, por favor... Não desista de encontrar o seu deus. Aquele que só se revela-rá para ti.
   - Eu já o encontrei, Jenny, meu deus e me deu por missão proteger a pedra preciosa que nasceu de seu filho. Não tenho tempo para amores, Jennifer. Ele não foi feito para pessoas como eu.

XXX

O príncipe se afastou para preparar os cavalos e partiram. Já entrando na cidade ambos diminuíram os passos dos cavalos enquanto se aproximavam da carruagem.
   - Conto com a sua discrição - Soltou Catherina antes de entrarem nos limites da cidade
   - De minha boca nada sairá minha senhora. Já tem dada a  minha palavra.
   - Defato.
   - Majestade... existe mais alguma coisa que eu possa fazer? Uma forma de agradecer a boa tarde que tivemos hoje.

Catherina circulou o cavalo do príncipe com o seu como se o estivesse lendo de todas as formas possíveis. Até que dando um sorriso se aproximou.
   - A anfitriã desta tarde não fui eu, alteza. Agradeça a ela. E se quiser fazer algo por mim,
... a proteja.

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