A eminência de uma guerra deixava o jovem príncipe atordoado. O sono lhe era tirado
pela apreensão de um massacre. Não era de se estranhar que seu pai estivesse
fortalecendo as alianças. Não era de se estranhar que qualquer um o fizesse. Desistindo
de dormir, começou a andar pelo castelo em meio a noite. Pelas sacadas dos corredores
via a lua alta que invadia os cômodos com sua luz sem pedir licença.
Ainda estava admirando as sombras quando uma silhueta lhe chamou a atenção. A rainha do continente estava lá. Como uma estátua. Os cabelos meio soltos se rebelavam pelo vento a procura de liberdade. Estava quieta contemplando algo que não se era possível discernir. Com sua postura impecável, altiva como sempre, firme, sublime e inalcançável como as estatuetas dos anjos na catedral.
Ainda estava admirando as sombras quando uma silhueta lhe chamou a atenção. A rainha do continente estava lá. Como uma estátua. Os cabelos meio soltos se rebelavam pelo vento a procura de liberdade. Estava quieta contemplando algo que não se era possível discernir. Com sua postura impecável, altiva como sempre, firme, sublime e inalcançável como as estatuetas dos anjos na catedral.
- É indelicado ficar a espiar uma dama, alteza.
- Desculpe Majestade, não foi minha intenção...
- Não se preocupe criança.
- Por que me toma por criança se tenho mais que a tua idade?
- Porque, para mim, você é uma criança... apenas isso. - Ao se voltar para encarar o rapaz a luz da lua enfatizou algumas manchas na alva pele da dama.
- Alguém lhe causou algum mal, majestade?
- Nada com o que se preocupar, chevalier. Seria de bastante desagrado se sua pessoa se envolvesse em assuntos que não lhe cabem. Apenas faça o que eu lhe pedi. A proteja. Não precisa se preocupar comigo ou com meu marido.
- Mas, senhora. Por que ele... - Oliver deu alguns passos a frente, ao se aproximar, as marcas se faziam mais visíveis. Um leve inchaço no rosto, diversas marcas no pescoço, nos braços e por locais que o príncipe não se atreveu a olhar.
- Bebida e divergência de opiniões as vezes causam isso. Teu pai e meu marido estavam a fechar acordos esta tarde. Irás casar-se com nossa primeira filha de modo a unir as duas famílias e fortalecer os reinos.
- Mas não tens filha...
- Bom, decerto este era o problema que meu marido estava tentando resolver esta noite.
- Por Deus isto está errado! Porque não procura apoio na igreja. Há uma catedral em que podes... Não sei decerto o que podes fazer, mas ... - A ideia de uma mulher tão bonita ser machucada revoltava o coração do jovem príncipe. Era inadmissível. Se lhe fosse permitido ter uma mulher como aquela, ele jamais lhe dirigiria sequer uma palavra hostil. Apenas a cortejaria a admiraria como um beija-flor a um jardim, como um poeta a sua musa. Não tratá-la como uma meretriz que precisava lhe gerar herdeiros a qualquer custo.
- Meu jovem. Meu casamento não é sagrado para que busque apoio na igreja.
- Não entendo o que quer dizer, senhora
- Meu matrimonio foi celebrado por um arcebispo sem vocação ou fé. Sem nenhum dos itens necessário para evocar a presença divina de forma a abençoar uma união. Logo, meu casamento não é sagrado diante do Pai. Em segundo, meu casamento não foi sacramentado e em terceiro, o adultério liberta o conjunge dos deveres matrimoniais. Entretanto, não é assim que a igreja procede, eu sei exatamente cada uma das palavras que o bispo dirá em tal situação...
- Mesmo assim, senhora, deverias ao menos tentar...
Catherina deu um sorriso compenetrado.
- Existe alguém a quem eu devo proteger. E essa missão exige que eu sacrifique algumas coisas.
- Estás disposta a viver em martírio para manter uma missão?
- Foi um pedido de alguém a quem eu preso bastante. E a respeito de Sacrifícios, meu caro Oliver.. eu conheço alguém que ofereceu muito mais por pessoas que não valiam.
O principe arqueou uma das sobrancelhas em dúvida. Catherina deu um sorriso e ergueu seu crucifixo que trazia junto ao pescoço. Oliver se perdeu entre o cordão e o colo de onde ele emergia, Entretanto, deviou o olhar antes que ofendesso o decoro e o recato da dama. Catherina, entretando, pareceu comprenetada demais em seus pensamentos e explicações para notar o leve desconcerto que de apurerara do rapaz.
- Minha cruz é infima ante ao seu sacrificio. Então não perca a fé, chevaliet...
- Como eu posso ter fé em algo que pelo que você diz não passa de hipocrisia.
- Vou lhe dar um concelho: Tenha fé em deus, não nos anjos, não nos sacristões. O filho Dele sacrificou uma vida, abandonou amigos, família, amores para que a humanidade pudesse se reerguer. Tenha fé na fé. Esqueça a religião. Segue as palavras, apenas isso. Trata como quer ser tratado.
O rosto de Catherina parecia se iluminar enquanto falava.
- Deus irá falar, não pela voz de anjos, mas pelo teu coração, na palavra de um amigo, ou até mesmo de um desconhecido. Tende simplicidade, respeito, generosidade. De modo que consiga dar sem esperar receber. Já que é melhor a surpresa do presente que a frustração da falta. Preza a moderação, a temperança, a paciência, a serenidade, seja caridoso e humilde. É uma receita difícil e eu confesso que eu encontrei mais destas qualidades em uma líder pagã que em muitos dos lideres cristão que conheci.
- Jennifer?
- Sim. - Soltou com um sorriso - Ela com o deus e a deusa dela me mostra mais cristianismo que os meus arcebispos. Eu vejo o amor de Deus nela, eu vejo a virgem maria, a mãe, a protetora. O pai de todos os seres. Relevando uma coisa ou outra de costumes. - Meneando a cabeça
- Por isso você quer que eu a proteja? Ela é a sua missão?
- Não, ela se tornou sua missão. - Com um sorriso maroto no rosto
- Por que acha isso?
- Talvez ela seja a voz de Deus que você precisa escutar.
- A voz de Deus vinda de uma pagã?
- Deus está em todos os lugares. No coração de quem o receber. Ele não vê cor, nem sexo, nem posição social. Não monte conceitos antes de conhecê-la. Ela não fez isso.
- Perdoe-me, senhora, Não tive a intenção ...
- Acalme-se Chevalier, tente dormir. Não desejo que minha filha tenha um homem estressado a seu lado. O príncipe a olhou atônito.
- A senhora..
- Eu tenho muitos filhos, chevalier - Sorriu saindo pelo corredor- Eu tenho por filhos todos aqueles que amo. Todos os que quero proteger.

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