1° Ato. Cena 1 - Rainha de Marfim

- Majestade, por que não começamos a reunião? Os nobres estão ansiosos. Por que aguardar a presença de uma mulher em um local ao qual ela não foi designada.
- Conde, conde... Esperemos por Catherina. Os conselhos dela são melhores que os seus, Maloy - Houve várias risadas. O conde Maloy permaneceu frio e impassível diante da brincadeira do a Duque Galarddi. Os nobres bateram as canecas de cerveja e vinho em meios a urros com a brincadeira
- Até por que... Com todo o respeito majestade... - O rei assentiu para que ele Galarddi continuasse. – O perfume dela é a única coisa que parece fazer um bando de homens velhos e fanfarrões conversarem algo sério por alguns minutos.

- O rei é de fato um homem escolhido por Deus para ter como mulher uma dama como Catherina. A minha mal sabe cuidar dos botões de minhas camisas. - Soltou um

 - Mas o rei é muito benevolente aos caprichos de sua dama. Não é sensato entregar decisões que cabe a homens nas mãos de uma mulher.- Comentou outro

 - Meu caro lorde, não falamos de uma mulher qualquer. Falamos da mulher que irá educar o próximo rei. Ao ventre dela juramos fidelidade. E é pela rainha que conhecemos o rei. Particularmente confesso que me alegro em saber o reino estará entregue em boas mãos quando Deus convidar a todos nós para tomarmos vinho em sua mesa.

 – Ao rei só o melhor. A mais bela, a mais inteligente - em comentários esporádicos

– E a mais espirituosa – Completou o rei

Os nobres levantaram a taça em concordância, uns riam e confortavam o rei dizendo que nada é perfeito. As grandes portas de madeira escora se abriram.
 - Desculpem a demora, cavalheiros, mas meu cabelo se recusava a arranjar o penteado...
 Os homens riram com a brincadeira. Todos os nobres e ministros da guerra ficaram em pé para receberem sua rainha. Desfilando como uma das pinturas dos mais habilidosos artistas. Alguns se curvaram respeitosamente. Os mais “íntimos” e beijaram sua mão envolta em uma delicada luva de cetim branco. Em seu pescoço um rosário da basílica da Santa Virgem Maria. Um vestido bem cortado e justo o suficiente para quase lhe tirar o ar. O Busto que parecia saltar se escondia por trás por traz de uma renda branca que subia ao pescoço para manter o recato. Detalhe que acentuava o vermelho-vinho acetinado de seu vistoso vestido.
Com a chegada de Catherina o rei tomou a palavra.
- Chegamos na noite de ontem de nossa viagem. O acordo com o reinado de Chanteau está firmado. 
- Ainda não percebo a importância da ilha como nossa aliada. – Questionou Maloy - Os principais guerreiros que há naquelas terras nem pertencem ao reino. 
- Catherina, - Disse o rei - nos faria o favor de esclarecer aos senhores a grande importância da aliança que estamos fundando? 

O rei Augusto nunca teve muita afinidade com a burocracia ou responsabilidades. Cresceu em meio aos mimos da corte. Criado para assumir a carreira religiosa, o garoto se viu jogado em uma selva quando seu pai e seu irmão mais velho morreram em uma rebelião. Saído do clero, o garoto se afundou na vida de prazeres, luxúrias e glorias da vida de cavalaria. O exército lhe trouxe fama entre as mulheres e cicatrizes conseguidas com atos nada valentes, mas, que eram bradadas como epopéias heróicas. Apaixonou-se por uma cortesã e com ela chegou a fazer votos de união que foram facilmente anulados pelo bispo alegando que não havia a benção divina no matrimonio. Aconselhado pela sua corte a prevenir uma guerra com os povos do norte, realizou uma aliança com Bartolomeu um dos homens mais nobres e honrados da região. Assim casou-se com sua filha, de modo que o povo, tendo uma de sua terra como rainha, calaria a sua insatisfação. 

Enquanto o rei reinava como um barco sem vela guiado pela conclusão mais simples e aparentemente viável, Catherina falava cinco línguas. Era instruída em estratégias militares. Possuía conhecimentos de heráldica e geografia. De uma etiqueta exemplar, era versada nas artes da poesia e da recepção. Raramente se via a rainha sem algum livro na mão. Muitos alegavam que se ela fosse um homem já teria dominado e unificado quase todo continente. Diplomata e estrategista, admirada pelos nobres e cavaleiros tanto por seus dotes mentais quanto pelos físicos. Diziam que seu comando era regido a mão de ferro envolto em uma luva de veludo. Corria pelo reinos e bailes por onde passava que “O homem que não se curvasse diante se sua inteligência e engenhosidade certamente o faria pela sua beleza e graciosidade”. Catherina reinava como uma tripulação altamente instruída de como velejar. Portando mapas e bússola. Aprendendo a se guiar pelas também pelas estrelas e buscando mais conhecimento a cada porto. 
 - Senhores, o importante na região para nos não é a força militar. Mas o ponto estratégico. A ilha está situada ente a Inglaterra e a frança. Muitos navios atracam em seus portos para comprarem mantimentos. Não importa quão seja forte o guerreiro, sem alimento ele cai. A aliança garantirá alimento para nossos navios e escassez para os inimigos de nossas terras. Podemos usar a região para colhermos informações e para nos infiltrarmos. 
 - Vocês tem certeza que Chanteau irá se arriscar a este ponto 
 A esta questão foi o rei que respondeu 
- Mas é claro, eu o atei com o vinculo mais forte de lealdade. Em breve seremos uma única família. Afinal eu darei a ele uma filha para seu filho. 
- Isso é de fato engenhoso. 
- Foi muito sabia a aliança 

E assim se seguiram os comentários de elogio a perspicácia da realiza. Catharina e alguns poucos ficaram mais calados. Havia dentre os nobres quem alegasse que era uma tragédia o casamento de Catherina, pois era como aprisionar um beija-flor em uma gaiola dourada. Outros ainda mais corajosos diziam que o casamento foi uma benção para o reino, que já teria ruído se dependesse apenas com a administração do rei. Havia ainda aqueles que alegavam que ela deveria ser imposta ao seu lugar se detendo à sala de visitas e a exposições em bailes. Aqueles que alegavam que à mulher cabia apenas se submeter à vontade do marido e a ficar bela para este.

 Então a noite caiu como uma criança que se deita para o sono. Manhosa e suave tecendo o céu sem lua com um pontilhado de estrelas. 

- Estás aflito meu rei? 
- Apenas perdido em pensamentos 
- Soube que a regra de Margareth não veio – Rei a olhou espantado com a naturalidade das palavras, Catherina não se acanhou e prosseguiu – Acaso preocupa-se que o filho de seus votos seja rebaixado a um bastardo? 
- Catherina... 
- Augusto... meu rei, meu amigo... Lembra-se que lhe prometi ajudar-te a manter teus votos? 
- Sim. Lembro-me de nosso casamento, lembro de tua compreensão diante de minha tristeza. 
- Eu acaso não sempre cumpro minhas promessas? 
- De fato... 
- Afastemo-nos eu e Margareth. Diremos em nossa viagem que sinto enjôos, assim quando voltarmos terás um filho herdeiro do qual nenhum nobre poderá desdenhar. Assim o filho de teu elasse será legitimo perante os homens como é legitimo perante Deus. Um padre não pode quebrar votos feitos no altar do amor do Criador. 
- Ele não era um padre, Catherina... 
- Um sacerdócio sem vocação não aproxima as pessoas de Deus, meu rei, tão pouco faz ele ouvir sua voz ou atender-lhes os pedidos. Bens saber que o sacerdote não anulou seus votos por falta de benção. Ele o fez porque não era politicamente adequado. A verdadeira fé não vê lado político, majestade. É uma pena que até mesmo alguns anjos não saibam disso. 
- Teu rosto. - Soltou o rei acariciando a face de Catherina - Ele se ilumina quando falas de fé. És verdadeiramente bela Catherina... Mais bela que qualquer anjo de qualquer catedral que eu já tenha visto. 

A jovem deu um sorriso singelo e retirou a mão de Augusto de seu rosto 
- Não insulte os anjos. Eles poder querer se vingar...- Rindo 
- Lamento não tê-la conhecido antes. 
- Não há o que lamentar... Tenha uma boa noite majestade 
- Por que... Não dorme ao meu lado esta noite? Gostaria de apreciar um pouco mais de sua companhia. 
- Porque um sacerdote sem vocação não pode quebrar votos, mas o adultério pode. Boa noite meu rei... 
 E se retirou dos aposentos.

 A lua estava alta. Aaron estava cansado, ferido. Os homens do rei havia o torturado a fim de que revelasse onde estaria o motim. Porém, como líder lhe era preferível a morte à revelar informações sobre os seus. Usava cada dor, cada ferimento como um motivador, uma vitamina para fortalecer sua convicção de que não havia forma alguma de seu povo se submeter ao reinado. Pelas grades da pequena janela se via os sepulcros, uma forma cordial de o rei lhe lembrar o futuro que o aguardava. O vento frio lhe arrepiou a espinha, respirou fundo e tentou se concentrar no céu. Sob este mesmo céu, a léguas de distancia, seu povo estava em segurança. Um movimento lhe chamou a atenção, um corcel completamente negro cavalgava como uma sombra por pelo gramado. As mantas de mesmo negro pareciam asas distorcidas pelo vento. Com majestade ele se mesclava na noite como apenas mais umas das sombras noturnas. Se não fosse o olhar bastante atento e treinado do guerreiro não se seria possível notar a silhueta em negro emergir das mantas do corcel e adentrar em um dos sepulcros.

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